• Maria Amélia

A sútil arte de meditar


A meditação consegue ser, ao mesmo tempo, algo extremamente simples e igualmente complexo. Pode exigir de você muita preparação, muitas vezes desnecessária, como o horário perfeito, a roupa adequada, a postura difícil, porém desajeitada, o incenso, a vela e a música de fundo; quando, na verdade, ela exige apenas nossa atenção plena. E é justamente esse o problema. Nossa atenção está sempre em outro lugar, seja um pouco mais à frente, planejando o futuro, seja um pouco mais atrás, presa ao passado. Mas nunca totalmente vivendo o momento presente. E é apenas quando estamos realmente presentes, que nossa intuição abre e se mostra para nós. Ela desabrocha, como uma rosa que descobriu que sua missão é exalar seu perfume e mostrar toda a sua beleza. É, de fato, preciso sutileza para meditar. É mais ou menos como a rosa e o seu desabrochar.

Se formos olhar em sua origem etimológica, encontramos a palavra latina mederi, que significa "curar, tratar, encontrar uma cura"; do mesmo radical med, deriva a palavra medicina. Meditação, assim, é a cura da alma, a busca por esse encontro com sua versão mais saudável, livre de qualquer doença. É o caminho de conexão com seu EU interior, que contém todo o Universo em si mesmo; como cada gota do oceano também contém o oceano, nós contemos o Universo, em essência, dentro de nós. E essa conexão se dá por meio do silenciamento do mundo externo e acolhimento do mundo interno, tal qual ele é, sem tentar negar nem reprimir o que quer que surja nesse processo, muitas vezes desconfortável e doloroso.

Pode parecer difícil sim silenciar num primeiro momento, pois estamos acostumados ao caos da nossa mente e o silêncio "grita", mostrando tudo o que não queremos ver ou assumir em nós mesmos. O silêncio funciona como num filme de terror, naqueles segundos que precedem o susto, que nesse caso é causado pelos nossos próprios fantasmas. Na verdade, eles são apenas fragmentos perdidos e renegados da nossa alma, buscando ser vistos e curados. Ao olhar para eles como olhamos para uma criança em sua inocência, querendo apenas chamar atenção, conseguimos perceber que eles também fazem parte da gente e podemos, com eles, prosseguir, dessa vez mais integrados em todas as nossas partes.

As crianças, aliás, são nossos maiores mestres. Se olharmos para elas, em toda a sua inocência e curiosidade sobre a vida, percebemos que elas passam quase o tempo todo meditando, já que estão totalmente focadas no momento presente e naquilo que estão fazendo. Talvez cada vez menos, hoje em dia, já que elas estão aprendendo desde cedo o que os adultos vem vivendo dentro de si: ansiedade, inquietude, dificuldade em lidar com frustração, depressão. Elas são nosso reflexo. Mas também são o espelho maior da nossa mais pura essência. Não esqueçamos que já fomos essa criança também, um dia.

Quando se trata de tornar a meditação um hábito, fica ainda mais complicado. Todo hábito é desafiador no começo. Assim como precisamos prestar mais atenção quando aprendemos a andar de bicicleta ou dirigir, não seria com a meditação que não precisaríamos de toda a nossa atenção. A realidade é que, nas primeiras tentativas, nossa mente vai nos sabotar, pois o ego tem medo de "morrer": no caso dele, se trata de perder o controle, desaparecer. Logo ele começa a mandar muitos pensamentos, impaciência, vontade de parar. Todos os mecanismos de autossabotagem podem surgir, como perder a hora, "se esquecer", receber um convite bem no momento em que tinha reservado a isso, ter muito sono e preferir dormir, simplesmente deixar para amanhã. Todos são absolutamente normais, mas se você quer mesmo se dispor a meditar, é preciso estar consciente de todos eles desde já.

Quando, finalmente, enfrentamos todo esse início e começamos a meditar, percebemos que as respostas que tanto buscamos começam a chegar. São pensamentos que surgem no meio de tantos outros, mas que tem uma clareza a mais, uma luz piscante dizendo que devemos prestar atenção a eles. A meditação não tem um objetivo definido, ela é o objetivo em si, que tem a paz interna como resultado. Se você quer realmente mergulhar em autoconhecimento, a meditação é a porta que se abre para você. Nem sempre a casa em que entramos estará arrumada, mas estará esperando por você e, se quiser arrumá-la, ela poderá ficar do jeito que você deseja. É olhando para dentro que alguém pode conhecer-se realmente. É tendo entrega consciente, sem julgar o que se sente. Arrumar a "bagunça" interna é a melhor forma de entender que a "bagunça" externa nada mais é que um resultado disso.

Como começar a trilhar esse caminho solitário nem sempre é fácil, senti, em uma das minhas meditações, que deveria fazer algo a respeito. Deveria guiar, conduzir, mostrar essa porta aberta esperando para ser adentrada. Era tudo ou nada, não podia mais ficar esperando, já que o mundo urge e precisa despertar para essa nova realidade que só o contato com o Eu interno pode revelar. E, assim, comecei a dar forma a esse projeto, aos poucos, sentindo todas as energias e me deixando guiar. O resultado promete ser uma maior abertura intuitiva e um maravilhoso bem-estar. Quem sentir de iniciar essa jornada comigo, no próximo domingo, dia 21/10, está mais do que convidado a participar. Vou deixar o link que contém todas as informações aqui embaixo. Espero você lá!

Porque meditar transforma. Meditar expande nossa consciência. Meditar é a maior forma de autoconhecimento.

Clique na mandala para saber mais sobre o Desafio de 21 dias de meditação:


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